terça-feira, 19 de julho de 2016

Demolição forno lenha










Este "forninho", como muitos lhe chamavam, teve o seu fim. Foi construído para um dia ser melhorado, mas nunca aconteceu. Foi sempre sendo reparado para durar um pouco mais. Mas como tudo, há um limite. 
Acompanhou-me durante 12 anos, quase sempre me deu alegrias e muita satisfação. 
Chegou ao fim, como tudo na vida!!! Mas chegou ao fim, para finalmente nascer um novo e bom forno. Um forno que me durará para a vida!!!!!!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Texto de Rute Rosas para a exposição "Regresso às origens"

Regresso às Origens 

De tradição secular e com raiz na cultura Árabe, o Azulejo, implantou-se na Península Ibérica mas desenvolveu-se, particularmente, em Portugal, expandindo-se talvez mais do que em qualquer outro país europeu, ao longo dos inúmeros períodos da História da Arte e da Cultura Ocidental.

Podemos observar inúmeros exemplares desta técnica com expressão artística em pavimentos medievais de Palácios ou Igrejas que remontam aos séculos XIII e XIV, como por exemplo na abadia de Alcobaça ou no claustro da Sé de Lisboa, mas igualmente em painéis murais, revestimentos interiores e exteriores dos mais diversos edifícios disseminados por praticamente todo o território português e que permitem viagens no tempo por mais de quinhentos anos de tradição.

No entanto, será nas soluções geometrizantes da azulejaria enxaquetada que encontramos referentes mais diretos aos trabalhos patentes nesta exposição da Sofia Beça.  

Quem conhece o seu percurso artístico dos últimos vinte anos não se irá surpreender com este Regresso às Origens.

A Sofia continua, sistematicamente, a sua dedicação à Cerâmica como ferramenta tecnológica de expressão artística. A materialização das suas inquietações ou anseios tem-se afirmado pelo apuramento, refinamento e audácia nos procedimentos técnicos com resultados plásticos diversos, seja no que diz respeito à volumetria, às dimensões ou às diferentes modalidades expositivas.

Os trabalhos mais recentes parecem apelar a uma revisitação de passados. Por um lado, a um passado histórico e cultural com tradição na azulejaria e mosaico dos últimos quinhentos anos e, por outro lado, a um passado mais recente e particular decorrente da sua experiencia vivencial.

O alto contraste na cor, tradicionalmente obtido pela utilização de engobes e vidrados, é conseguido, nestes trabalhos, pelo contraste entre pastas de cores e chamotes diferenciados cozidos em forno a lenha e que interferem nas variantes cromáticas ou de tonalidade.

A sugestão de volumetrias, de planos geométricos, de perspetiva – tão característicos da azulejaria com tradição e vocação pictórica – são transpostos para murais que sublinham os planos reais, os volumes e texturas ou para objetos isolados com relevos que acentuam e distinguem massas de dimensão diferenciada.

A racionalidade das estruturas geométricas é caracterizante destas composições de estrutura simples – vejam-se os objetos biselados e as múltiplas variantes volumétricas – e parece contrastar com a organicidade da manufaturação, da origem das matérias ou dos procedimentos utilizados. A Sofia reclama um regresso, uma revalorização do que é primário, primitivo pelo que é essência e essencial.

Decorrente de um exercício constante, diário, e que parece confundir-se com qualquer outra tarefa do quotidiano, entre a racionalidade obsessiva e a subjetividade ritmada dos procedimentos, quase catártica, Sofia Beça, expõe composições abstratas simples e com padrões repetitivos resultantes da ação incansável de um fazer, fazer, fazer… que apela ao retorno… a um passado mais ou menos longínquo mas distante…

… ao princípio.


Rute Rosas 
Maio 2016

Professora Auxiliar Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto – FBAUP
PhD Teacher
Departamento de Artes Plásticas
Artista Plástica
Escultura


www.ruterosas.com

terça-feira, 14 de junho de 2016

Exposição "Regresso às origens"








 Estes são alguns dos trabalhos apresentados na exposição "Regresso às origens", que esteve patente de 30 de Maio a 5 de Junho de 2016 em La Vitória, Córdoba, Espanha. 


segunda-feira, 13 de junho de 2016















No passado dia 30 de Maio, inaugurou a minha ultima exposição individual, intitulada "Regresso às origens", num antigo mosteiro em La Vitoria, Córdoba, Espanha. Esta exposição fez parte integrante do festival de arte contemporânea ARTSUR2016, em La Vitoria, que se realizou dia 3, 4 e 5 de Junho. 
Esta exposição realizou-se graças ao apoio da empresa SIO2, Casa Pompeu, LaserBuild e Artsur2016. A todos eles um muito obrigada por todo o apoio que deram.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Exposição individual no Festival ARTSUR 2016, em La Vitoria, Cordoba


Fui convidada a participar no Festival ARTSUR 2016, com uma exposição individual, em La Vitoria, em Córdoba, Espanha. 
Para essa exposição, que estará patente apenas de 30 de Maio a 5 de Junho, tenho o apoio da empresa SIO2 com pastas refractárias, com a LASERBUIL no transporte e com a Antiga Casa POMPEU no fornecimento de paletes para as cozeduras no forno de lenha. 
A todos eles, obrigada pelo apoio. Assim tudo se torna mais fácil de realizar.

terça-feira, 15 de março de 2016

Pequena entrevista na Revista ATTITUDE

 "Da terra para o céu"
Mural para habitação particular com três pisos. S. Mamede Infesta 2013

 "The eye"
Colecção do ministério da cultura do Egipto 2014

"És a minha flor"

Talents - Sofia Beça, o vício do barro

“Viciada em Barro”, Sofia Beça não é uma ceramista tradicional e tem “alguma aversão” em dizer-se artista, por serem tantos os equívocos no uso da palavra. Com obra pelo mundo, é em casa, no Porto, que trabalha o barro. Embala as peças cruas e faz 250km até à aldeia de Outeiro, Bragança, para as cozer em forno de lenha. Minuciosamente moldadas, as suas criações – esculturas, murais e painéis únicos – pedem espaço, levando alquimia e poesia à arquitectura.

O que há da Sofia em cada peça?
O que me apaixona e magoa, as minhas emoções; a minha ligação à natureza, mas sobretudo os bloqueios e reacções do ser humano – no modo como me afectam.

É uma obra emocional forte. Não é dada à cerâmica de bibelô…
Ui, não! Quero dar ao barro outro mundo, o da arquitectura, por exemplo. Mesmo as esculturas mais pequenas, vejo-as como maquetas de obras maiores. Gosto da grande escala. Trabalho muito a textura, uso grés. São criações com peso, mas que expressam delicadeza, alguma leveza.

O processo de trabalho é sempre artesanal?
Trabalho com as mãos. Em Junho tenho uma exposição em Córdova, “Regresso às Origens”, que vai precisamente às raízes da cerâmica que eu procuro. Faço as cores do barro, trabalho sem moldes, de modo rudimentar. Vou expor peças de parede; é a minha forma de honrar algo português, o azulejo, e expressar o que me incomoda – a perda da nossa identidade, da nossa cultura.

Daí, também, o forno de lenha?
Também. A chama e o fumo mudam tudo, peça a peça. E preciso deste isolamento. Fico horas a olhar para o forno, a ver o pôr-do-sol, ouvir os animais…

Tem obra em muitos países, nos vários continentes. E Portugal?
Sou mais reconhecida além-fronteiras. Tenho um percurso essencialmente internacional. E há um vínculo grande a Espanha: foi onde descobri o meu caminho (com o meu mestre Arcadio Blasco, infelizmente já falecido), é onde tenho bons amigos ceramistas. Mas gostava de sentir algum reconhecimento no meu país. E quero muito fazer um mural no Porto.


Virgínia Capoto
Janeiro de 2016

Revista ATTITUDE ( março/abril 2016)

domingo, 28 de fevereiro de 2016

"És a minha Onda"



És a minha onda"
Grês de diferentes cores, técnica da lastra, cozedura a 1100ºC em forno de lenha. 2010
130 x 200 x 5 cm

Em Novembro passado, a obra "És a minha onda" passou a viver numa nova habitação na cidade do Porto. Recentemente o fotógrafo António Chaves foi comigo tirar estas fotos para em breve serem publicadas num artigo da Revista Attittude.
Esta é uma das obras de referencia para mim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

"Muro dos Sussurros"




"Muro dos Susurros"
Grês, engobes, técnica da lastra. 200 x 300 x 50 cm
2011
Obra de Sofia Beça, Juan Ortí e Alberto Andrés

Em 2011 desafiei Juan Orti e Alberto Andrés a apresentarmos uma proposta de uma escultura para Muel, Zaragoza. Aceitaram o meu desafio e os três, apesar de termos trabalhos muito diferentes, conseguimos chegar a uma proposta que nos agradou. Em Novembro desse mesmo ano estivemos a executá-la no atelier do Museu de Cerâmica de Muel, durante duas semanas. Em tempo record para uma obra destas. 
Esperamos muito tempo para que o museu se decidisse a cozer a obra, mas finalmente vejo o resultado final. Ainda não lhe toquei nem a vi ao vivo, mas estou curiosa para o fazer. pelas fotos o resultado parece ter funcionado como o desejado.
Há que ir a ver para confirmar !!! 


Fica aqui o link do video da realização da obra
https://www.youtube.com/watch?v=itrjWYGROmU

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Residência Ibérica de Cerâmica em Lisboa


"Regresso às Origens I"
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1150ºC. 80 x 80 x 4 cm
2015
"Regresso às Origens II"
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1150ºC. 45 x 45 x 4 cm
2015


Durante os dia 21 e 26 de Setembro, realizou-se no Museu Nacional do Azulejo a "Residência Ibérica de Cerâmica, 4 Espanhois, 4 Ceramistas"
Este foi o trabalho que realizei nessa semana e que fez parte da exposição dos trabalhos resultantes dessa residência, patente até ao passado dia 1 de Novembro no Museu Nacional do Azulejo.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Residência Ibérica de Cerâmica no Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa


De 21 a 26 Setembro, realizar-se-à no Museu Nacional do Azulejo uma residência Ibérica de Cerâmica, que tem como objectivo juntar quatro ceramistas Espanhóis :

Miguel Molet
Pilar Soria
Antonio Portela
Mar Garcia Diaz

Quatro ceramistas Portugueses:
Virgínia Fróis
Heitor Figueiredo
Sofia Beça
Fernando Sarmento

Esta residência destina-se à produção de obras cerâmicas, estimulando e promovendo o intercâmbio de culturas, processos e técnicas de trabalho.

Assim, a troca de experiências é um dos principais objectivos desta residência em que cada um dos artistas convidados desenvolve as suas técnicas (estas incluem a decoração com fumos, forno de serradura, impressão fotográfica sobre cerâmica, entre outras).

As obras realizadas serão apresentadas numa exposição no dia 26 de Setembro, às 17.00 horas no Museu Nacional do Azulejo.

Os autores da Residência farão uma apresentação publica, expondo os seus referentes, técnicas e processos de trabalho.

Actividades da Residência:

De 21 a 25 de 2ª a 6ª feira das 10.00 às 18.00h., oficina aberta, para ver e acompanhar o desenvolvimento do trabalho dos autores residentes.

Dia 24 e 25 cozeduras alternativas no espaço exterior do Museu, final da tarde (horário a confirmar).

Dia 25 6ª feira às 15.00h., Ciclo de Apresentações dos autores residentes e convidados sobre o processo e percurso artístico(10 minutos cada um):
Miguel Molet
Pilar Soria
Antonio Portela
Mar Garcia Diaz
Virginia Fróis
Heitor Figueiredo
Sofia Beça
Fernando Sarmento
convidados
João Rolaça
Maria Betânia e Ana Cruz
Sérgio Vicente


Dia 26 (Sábado manhã)
Visita às Oficinas do Convento em Montemor-o-Novo Cerâmica
Inscrição obrigatória até dia 24, para Fernando Sarmento sarmefermento@gmail.com,
tm 967 307 624 Almoço no Convento 5 € pagamento no acto de inscrição.

8.00h. saída do autocarro na Rotunda das Olaias
9:30 h Visita ao Telheiro – Oficina da terra e da Cerâmica
11:30 h Visita a Oficinas - Convento de São Francisco Projecto Cultural
12 h Almoço cantina do manbo
13h Regresso Lisboa

17.00h. Inauguração da Exposição da Residência Ibérica no Museu do Azulejo

Museu Nacional do Azulejo
Rua da Madre de Deus, Nº 4 T: 218 100 340
* p. organização: Fernando Sarmento T.M. 967 307 624
EMAIL: sarmefermento@gmail.com

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Text "Small Flower" by K. Sangha


I had the pleasure of meeting this year Kanwal Sangha, who was a year in Portugal to write one book. I give him to know my work and now he offers me this text about this piece I did recently, in continuation of the previous in 2013


"We absorb all sensations like sponges. Petal to petal, a flower is constructed  the same way a human being inwardly builds white, black red and brown; colors are the meaning of absorbing sensations: purity, pain, love, always based on feelings.

A flower cannot be taught to obey. We go to them like hungry lovers, immerse our emotions. We want to touch them in ways we have never been touched before.To make this happen, art needs evolution of its own life form in order to be. The work characterises a relationship to nature which is based on sensation and desire, conscious that nature is distinct and unique. Therefore, apprehension is not based on copying experience but in the making of the work: the heartbeat of the artist is aware the work knows limits of human experience but realises appropriation as failure of representation.

A flower, like love, “is a many splendored thing.” It is a spectacle in romance and in death. We give it a role and sometimes we think we can control its purpose. This work is not reduced to ornamental limits. It comes out of the body of the artist: her arms, hands, fingers, feet, hips, legs. It is a dance of time, as the work appears, the movement changes, to shape, cohere and to give space  to imagination and the body. Why else does an artist call her output a “body of work”?

A flower recalls many sensations: the touch of a lover, the dead in war, a road accident. Like the petals of marigold for the Indian dead on the river Ganges, remind us in their colour and discoloration, nature, life and death form a unique relationship and powerful memories.

Sofia Beça “writes with clay”. When I look at her flowers I want to reach out and touch, put my lips to the petal, the absorbent ones, next to its neck, my ear to it shell-like aperture."


K. Sangha 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

SOFIA BEÇA - Instalação "Casa da criança"



Ao longo destes meses fui publicando fotos do processo deste trabalho. Agora deixo aqui um resumo, de meses de trabalho, em 3:24 minutos para quem se disponibilize a ver e ouvir um projecto que envolveu muito trabalho e muita dedicação por parte de muita gente. A todos que me ajudaram, em momentos distintos que foram sendo necessários, um muito OBRIGADA.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Instalação "Casa da Criança" - Guimarães













Foi apresentada ao público, no passado dia 20 de Junho, a instalação "Casa da Criança", em Guimarães. 
Como fui aqui falando e mostrando imagens, foi um projecto que realizei em co-autoria com o Arq. Paulo Sousa Pereira, para a comemoração dos 10 anos da instituição "Casa da criança", em Guimarães. Fiz à mão, uma a uma, 3650 peças, para representar cada dia de existência da instituição, ou seja, 3650 dias. 
As peças representam o logotipo da instituição, que foi desenhado pelo primeiro menino que foi para ali viver. O conjunto das peças deu também esse logotipo. 
A ideia da instalação era ir desaparecendo ao longo do dia à medida que as pessoas iam levando as peças que tinham reservado atempadamente e das que na hora também queriam colaborar na ajuda da instituição, para poder continuar a desenvolver o trabalho maravilhoso que tem feito ao longo destes anos. Um trabalho realizado com muitos voluntários, disponíveis para ajudar a que este projecto resulta-se como resultou. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Apresentação pública da instalação "Casa da Criança" em Guimarães







Em 2015, a Casa da Criança comemora 10 anos desde o primeiro dia que iniciou a sua actividade e se tornou o lar de quase duzentas crianças em risco.

Para comemorar este momento, a instituição convidou os artistas Paulo de Sousa Pereira e Sofia Beça a desenvolver uma obra de arte que reflectisse a essência do trabalho merotório que a Casa da Crianaç tem vindo a desenvolver ao longo destes 10 anos. O resultado é a instalação artística "Casa da Criança" que será apresentada na Praça da Oliveira, no próximo dia 20 de Junho. Esta instalação artística é composta por 3650 "casas", que representam o lar e o colo que estas crianças encontraram na instituição, durante os seus 3650 dias de actividade.

As peças de arte, numeradas, certificadas e assinadas pelos autores, poderão ser adquiridas a um preço base de 10€, revertendo este valor para o financiamento dos próximos 10 anos de actividade da instituição. Assim, ao adquirir a sua "casa", estará a alicerçar o futuro de centenas de crianças, que encontram aqui o conforto e o carinho que todos deveriam ter.

Se quiser garantir já a sua casa:

http://www.casadacrianca.pt/a-casa-da-crianca-comemora-10-anos-e-preparou-um-evento-muito-especial

Contamos com a sua presença na Praça da Oliveira, no dia 20 de Junho a partir das 16h ( embora a instalação esteja todo o dia presente ao público), para festejar connosco e levantar a sua peça de arte, numerada e certificada, que fará parte desta instalação artística.

terça-feira, 5 de maio de 2015

EUNIQUE 2015 - Alemanha


Inaugura no próximo dia 7 de  Maio pelas 17.30 a EUNIQUE 2015, feira de artes & design, em karlsruhe, Alemanha. 
Este ano Portugal é o país convidado. Haverá um grande stand dedicado a Portugal onde poderão conhecer um pouco do que se faz por cá.

Eu, a convite da embaixada, estarei em frente, mas com um stand só para mim, para poder apresentar o que também tenho feito por cá e por diversos países por onde já passei profissionalmente. 

A minha presença é financiada pelo Instituto Camões, Embaixada de Portugal, Secretaria de Estado da Cultura e Design Português 2015

Vamos ver o que dizem os alemães do nosso trabalho!!!
Poderá ser visitada até dia 10 de Maio.

http://www.eunique.eu/en/home/homepage.jsp