sábado, 3 de julho de 2021

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Consequências na matéria

 


Sofia Beça, escultora cerâmica, expõe pela primeira vez em Mértola o seu trabalho que, embora radicado na escultura e na cerâmica, assume-se como multiforme e convoca as artes visuais de forma abrangente, rompendo os limites da área disciplinar na qual se inscreve. Nas obras apresentadas em “Consequências na Matéria” a noção de paisagem é abordada a partir de murais de parede ou pequenas obras escultóricas, ancoradas na técnica da lastra, usando o forno de lenha para a cozedura das suas peças. Ondulações, montanhas, vales ou jardins são descobertos em obras que desafiam a nossa perceção ótica e intersectam as fronteiras da pintura e da escultura. Outras, de cariz mais tridimensional, remetem-nos para questões de demarcação e de conquista. Podemos imaginar marcos ou soldados estilizados que defendem os seus territórios inscritos na sua pele feita de grês. 

Alejandro Ratia, escritor e crítico de arte espanhol, realça esta faceta de Sofia Beça da seguinte forma: “A artista transforma-se em topógrafa. Descreve ou inventa uma paisagem. E dentro dessa atividade topográfica encontra-se também a marcação de território através de marcos ou pontos geodésicos. Estas marcas modernas convivem com outras mais tradicionais, muitas vezes ligadas ao culto religioso, como por exemplo cruzes ou estrelas. Uma das principais funções da escultura foi precisamente esta: a demarcação de limites. O que significa também dotar o território de um sentido, uma função primordial a que Sofia Beça regressa. (…) No entanto, em Trás-Os-Montes, onde a artista cuida do seu forno de lenha, é ainda com pedras que se demarcam os terrenos. Poder-se-á aqui aludir a uma política do território, se aqui introduzirmos os títulos de propriedade ou os sinais de conquista” 

Sofia Beça deambula assim entre a Paisagem e a História, mas não esquece temas tão atuais como o isolamento ou a solidão, materializados em esculturas de uma abstração dialogante e de uma força capaz de aprofundar os sentimentos que temos perante elas. Paradoxal é a sua obra intitulada “Não, não estamos todos no mesmo barco” numa clara alusão à situação pandémica que atravessamos e em particular à condição assimétrica do mundo das artes. 


Tiago Guedes 

Comissário da exposição 

2021

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Consequências na matéria


 








No passado dia 10 de Junho, inaugurou a minha ultima exposição individual "Consequências na matéria", na Galeria do Castelo, Museu de Mértola, em Mértola. Esta exposição fez parte do Festival Arte Non Stop, comissariada pelo Tiago Guedes. Estará patente até dia 11 de Julho.

terça-feira, 29 de junho de 2021

Placas Toponímicas





No passado mês de Março, foi-me pedido para fazer duas placas toponímicas, para a aldeia de Boassas, em Cinfães. Fiz uma em alto relevo e outra em baixo relevo, pensando nos montes e vales da zona. Foram feitas em grês, cozidas em forno de lenha a 1250ºC e cada uma tem cerca de 45 x 35 x 4 cm. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

"Que caminho percorres tu"

 




No passado ano, a exposição "Que caminho percorres tu", esteve na Galeria Vieira da Silva, em Loures. 

Neste formato, podem ver (ou rever) e ouvir um pouco do que foi a exposição.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Continuamos no confinamento


"Flor" 
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1250ºC em forno de lenha. 30 x 28 x 28 cm. 2020

 

"Jardim contido" 
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1250ºC em forno de lenha. 24 x 24 x 28 cm. 2020

 


"Solitário" 
Grês sobre papel artesanal, técnica da lastra, cozedura a 1250ºC em forno de lenha. 
25 x 25 x 5 cm cada um, 2020

 


"Ondulações" 
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1250ºC em forno de lenha. 124 x 104 x 5 cm. 2020

 

"Montanhas" 
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1250ºC em forno de lenha. 120 x 120 x 9 cm. 2020

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Alguns resultados do confinamento

 "Montanha II"
Grês, técnica do rolo, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 36 x 30 x 30 cm. 2020


"Montanha I"
Grês, técnica do rolo, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 60 x 45 x 34 cm. 2020


"Montanha III"
Grês, técnica do rolo, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 34 x 34 x 10 cm. 2020


 "Montanha IV"
Grês, técnica do rolo, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 32 x 30 x 20 cm. 2020

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Alguns resultados do confinamento

 "Não, não estamos todos no mesmo barco"
Grês, técnica do rolo, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 48 x 25 x 19 cm. 2020


 "Brinca comigo"
Grês, técnica do bloco, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 63 x 6 x 14 cm. 2020


 "Isolamento"
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 47 x 12 x 23 cm. 2020


 "Precipício"
Grês, técnica do bloco, cozedura a 1200ºC em forno de lenha. 22 x 12 x 14 cm. 2020

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Catálogo online

( Foto Rui Pinheiro)

Em tempos de confinamento, sem exposições, com projectos cancelados e adiados, resta-nos este registo. O catálogo online, da exposição "Que caminho percorres tu", que esteve em exposição o ano passado, por esta altura.

https://issuu.com/cm-loures7/docs/que_caminho_percorres_tu_-_sofia_be_a?fbclid=IwAR1AkvYso3fDoKklXGgJa0XIWB80E4F71e6yVHPZwu2YXY0Tcx9zilcLPps


quarta-feira, 8 de abril de 2020

Residência artística em Jingdezhen, China



Era suposto estar neste preciso momento em Jingdezhen, China, a inaugurar a minha exposição , fruto da residência artística que teria estado a acontecer desde 1 de Março. Pelo facto da China estar nessa altura com a epidemia ao rubro, foi adiada para 15 de Abril. Mas agora estamos nós sem poder viajar e a braços com o coronavirús. Voltamos a adiar, desta vez para Agosto, na esperança que nessa altura, já tudo esteja a entrar no ritmo normal. Costuma-se dizer que à terceira é de vez!! Acreditemos que sim.
Apesar da residência artística ser quase toda financiada pela China, havia alguns pontos que não estavam assegurados. Apresentei a minha candidatura à Câmara municipal do Porto, no programa SHUTLLE e tive o privilégio de poder contar com o apoio deles, assegurando assim o que me faltava. Agora é só mesmo toda esta epidemia desaparecer, para poder fazer as malas e fazer o que mais gosto...por a mãos no barro :-) 
Obrigada a todos que me têm ajudado neste processo.

http://www.porto.pt/noticias/programa-shuttle-apoia-seis-novos-projetos-de-internacionalizacao-?fbclid=IwAR1BrDL5AXpHdK66AlbNiYAz14UNj2SM89tH-j2DsralOu6l8aagf-Yd-qo

http://plaka.porto.pt/pt/shuttle/?fbclid=IwAR2xDYGXK26_gOtXjhAXRBtC9IkJh9XSJ-ePrARne_l12Zg-QPbkwLNGNWU

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Abandono ou opção?










Outro dia vi umas peças que fiz, creio que em 2005 (se a memória não me falha), num jardim onde as coloquei nessa altura. Não as via há mais de 10 anos e já nem me recordava delas. Aliás, estavam irreconhecíveis, a natureza usurpou-se delas. Sempre me agradou a ideia da natureza intervir na minha obra nos espaços exteriores, mas não a este ponto de abandono. Estas estão ao abandono (parece-me), mas abandono esse que me alegrou. Alegrou ao ponto de fazer ver que é um bom ponto de partida para mais um projecto. 

terça-feira, 17 de março de 2020

Os artistas na sociedade


"Cada um no seu mundo"
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1200ºC, em forno de lenha. 62 x 70 x 6 cm. 2018

Os artistas, para se poderem entregar de corpo e alma à sua criação, prescindem de certas "regalias materiais". Graças a eles, podem ver filmes, ouvir as suas músicas, olhar para as fotos daqueles momentos tão importantes, ir aos museus e galerias, apreciar a obra que têm em casa ou no jardim, assistir a uma peça de teatro ou de dança, ler um livro e por aí fora. 
São eles que fazem, de certa forma, as vossas vidas mais preenchidas. O problema é que a maior parte destes artistas vive por conta e risco, se quer viver única e exclusivamente do seu trabalho como artista. Sabem disso, desde que optam por essa via, sabem que vai custar e muito. Mas fazem-no! Sabem também que em tempo de "guerra", não serão necessários, mas ninguém quer viver a pensar que vai estar em guerra. Ao longo da história sabemos que uns sobreviveram, outros desistiram e outros não resistiram.
Agora que estão todos dentro de casa, lembrem-se dos artistas que vos estão a fazer "companhia", no vosso confinado espaço e lembrem-se que irão gostar de voltar a ter a "companhia" deles. Façam-nos sobreviver!!

segunda-feira, 16 de março de 2020

Réplicas de azulejos







Durante estes dois últimos meses, eu e o Pedro Aguar tivemos em mãos 970 azulejos. Um edifício, na Rua do Almada, está a ser reabilitado e foi-nos pedido executar a réplica dos azulejos que faltam na fachada existente. A parte mais difícil é sempre encontrar as cores mais aproximadas ao original. São testes e mais testes até se chegar ao pretendido. Depois segue-se a fase de vidrar a base do azulejo, estampilhar um a um com cada cor e finalmente os detalhes a pincel. Isto 970 vezes!! O resultado final irá demorar a ser colocado na parede, uma vez que a situação actual não permite que o trabalho continue. Aguardemos por melhores tempos. Trabalhar com o Pedro Aguiar foi, uma vez mais, uma maravilha. Que venham mais réplicas!!!