quarta-feira, 23 de julho de 2008

Dia de descanso

Depois de um dia em frente ao forno de lenha, o corpo e a mente precisam de descanso. No dia seguinte, fui ao meu local preferido em Outeiro. Pelo caminho encontrei vários insectos, mas a estes dediquei-lhes um pouco mais de atenção.

Quando cheguei ao local encontrei este pastor. Ficou todo feliz por poder conversar um pouco.


Assim estava este terreno, já não tinha água e bem mais seco do que o tinha encontrado em Março. Para além disso foi com satisfação que o encontrei com um rebanho enorme e os respectivos cães de guarda ( um deles, bem simpático, aqui á direita)


Quando regressei, as ovelhas decidiram fazer o mesmo. Foi um passeio diferente, mas bem relaxante. Deu para "carregar baterias". Daqui por uns dias vou para lá outra vez.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fornada

Este era o aspecto do trabalho antes de ir para o forno de lenha. Dois tipos de grês, ambos brancos, um com chamote grosso e outro com fibra de papel. Dentro das"janelas" engobes de várias cores.
Aqui já tinha enfornado todos as peças do trabalho. Uma fornada apenas para um trabalho meu, mais os dois trabalhos dos miúdos.

Este foi o resultado final de algumas das peças. A fornada demorou sete horas e não correu muito bem. O forno trabalhou razoavelmente até aos 950ºC, mas depois apenas consegui ir até aos 1080ºC. Entre uma temperatura e outro estive cerca de três horas, sempre a consumir lenha. A ideia era chegar aos 1150ºC. O motivo pelo qual a temperatura não queria subir foi pelo facto de ter havido um estrangulamento na saída da chaminé. Fiz uma alteração para não haver riscos de incêndio, no Verão, mas foi demasiado e o forno perdeu o rendimento. Bastará fazer uma pequena alteração no cimo da chaminé e voltará a funcionar bem e sem qualquer tipo de riscos.
Apesar de não ter chegado á temperatura desejada, o trabalho ficou como eu o imaginei. Valeu a pena o esforço, apesar de tudo e fiquei satisfeita com o resultado.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Trabalho em férias

O meu filho Rafael a pintar o seu foguetão.

O amigo inseparável do meu filho, o Miguel, estava todo feliz por ter acabado de pintar a sua tartaruga.

Este era o trabalho que estava á espera dos meus acabamentos.

Também me calhou pintar o trabalho.

Na passada semana, aproveitei para ir até Outeiro, Bragança. Ainda não percebi se vou até lá com o pretexto de ir cozer no meu forno de lenha, ou se cozo com o pretexto de ir até Outeiro. De uma coisa é certa, sinto-me bem cada vez que lá vou.
Desta vez o Rafael e o seu amigo tinham feito uma peça, cada um, para levar e cozer juntamente com o meu trabalho. Para eles foi uma aventura. Bem, mais para o amigo, pois o Rafael já começa a estar habituado a estas coisas mas gosta sempre de participar de alguma forma.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Trabalho em férias

Tirei uns dias de férias para vir até aqui, Outeiro, mas nunca consigo vir cá sem que utilize o meu forno. Vim com um trabalho para cozer e ontem foi essa a minha tarefa.
Agora vou tentar descansar um pouco até domingo e depois lá regressarei á confusão da cidade. Aqui a internet é muito lenta, por isso não há fotos no blog. Depois actualizarei.
Até segunda.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Prémio Manises


"Janela I, II, III,IV, V, VI"
Barro chamotado, técnica da lastra e rolos, vidrado a 1000ºC, queimado posteriormente na fogueira. 32 x 32 x 7,5 cm . 2003

Pormenor de uma das "Janelas"

A foto está muito má, mas é a que tenho do trabalho completo. Foi com este trabalho que participei na VI Bienal Internacional de Cerâmica de Manises, em 2003. Fui contemplada com uma Menção Honrosa. Posteriormente vendi a um cliente aqui do Porto.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Texto de Manuel Cerveira Pinto

"Caracol"
Grês, técnica mista, cozedura a 1280ºC a gás com redução. 35 x 20 x 6 cm. 2007

Este foi o texto que Manuel Cerveira Pinto, escreveu para a minha exposição individual intitulada "metáfora do Mundo", no Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, em Braga, realizada em Dezembro de 2007.


Metáfora do mundo
A natureza constitui quase invariavelmente o mote da obra cerâmica de Sofia Beça. As questões com ela relacionada e com a presença humana, as suas conexões com a vivência quotidiana o meio ambiente e as próprias relações entre as pessoas constituem o universo por onde o barro molda as formas da própria arte e que estabelecem a visão poética da autora. Por vezes distante, por vezes crítica, ou ainda apenas contemplativa. A metáfora do mundo expressa-se através de formas geralmente orgânicas, onde pontuam elementos geométricos, que revelam a importância que o habitar tem para o próprio ser... seja ele humano ou não. A linguagem própria que já há anos Arcadio Blasco sugeria despoletar na obra da autora, ganha contornos cada vez mais nítidos na sua singularidade como metáfora da própria vida, despertando-nos a curiosidade pelas suas próximas realizações.
Manuel Cerveira Pinto
Setembro de 2007

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Simpósio em Buenos Aires




Em 2005, o Instituto Municipal de Cerâmica convidou-me a participar no VII Simpósio de Cerâmica de Avellaneda, Buenos Aires, Argentina. Éramos cerca de 20 ceramistas de vários países e tínhamos apenas uma semana para realizar o nosso trabalho. Lembro-me que comparei o ritmo de trabalho com o Japão, completamente distinto. Na Argentina há tempo para tudo, sempre bem dispostos e a improvisar a toda a hora.
Lá consegui acabar este trabalho e ainda tive que dar uma palestra sobre o meu percurso e sobre o I Encontro Internacional de ceramistas em Boassas, que tinha organizado em 2004.
Este instituto tem cerca de 500 alunos a frequentar o curso de cerâmica com duração de quatro anos e todos os dias os tínhamos a fazer perguntas sobre o que nos viam fazer. Foi muito cansativo. Havia que lhes dar atenção, mas também tínhamos o compromisso de acabar o trabalho e paralelamente as palestras que havia diariamente.
A minha ida só foi possível, graças ao apoio a 100% da Embaixada de Portugal. Como fui a única portuguesa a estar presente, fui em "representação" do país. Receberam-me lindamente, obrigada a todos da Embaixada.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Exposição do I Encontro Internacional de Culla Contemporânea

Trabalho do Matsuo Takashi e ao fundo o meu. Este trabalho do Matsuo está todo trabalhado por dentro, permitindo ver o seu interior apenas por este orifício.


Trabalho da Gabriella Sachi

Trabalho do Marc Verbruggen

Recebi algumas fotos do aspecto com que está a exposição do I Encontro de Culla. Inaugurou no passado dia 17 de Junho a exposição itinerante do I Encontro Internacional de Culla Contemporânea. Encontra-se no Centro Cultural Provincial LAS AULAS, Plaza Las Aulas, 1 12001 Castelló, Espanha. Poderá ser visitada até dia 17 de Julho.

sábado, 28 de junho de 2008

Prémio Martí Royo

"Dormitório"
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1150ºC com redução. 122 x 47 x 4 cm. 2006
Com este trabalho recebi o 2º prémio, em 2006, da IV Bienal de Cerâmica Martí Royo, Altafulla, Espanha. Pela informação que tenho, o presidente da câmara já não é o mesmo e o novo acabou com o concurso. Parece cá.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Texto de Arcádio Blasco

Este foi o texto que o meu amigo Arcádio Blasco escreveu para a minha exposição individual "Voltar a Marrocos", em 2001. Tive o privilégio de poder estar um mês no seu atelier e realizar alguns dos trabalhos para a exposição. Conheci-o, em 1998, num curso de escultura e murais ceramicos, em Coimbra e desde aí nunca mais perdemos contacto. A forma como "vejo" a cerâmica a muito devo a este querido mestre.


La cerámica ...
La cerámica, la manipulación de argillas, el fuego, componen una herencia ancestral soldada al nacer del pensamiento en el ser humano. Ya se há dicho: “los pueblos que no conocieron la cerámica no tienen historia”. Al margen del uso industrial; todavía hoy, presenta, la cerámica, una atracción, un interés irrefrenable por parte de muchos individuos de diferentes culturas; desde la porcelana má exquisita a las grandes tinajas de barro; desde las técnicas más primitivas, a las más sofisticadas. Seguramente el control del fuego fue un primer signo de inteligencia y dominio sobre el resto de los seres vivos.
A Sofia Beça le atrae el fuego, la manipulación de pastas, le oficio,y como persona inteligente y sensible, quiere sumergirse, penetrar en la cerámica com la pasión y tenacidad del neoconverso. El descubrir las posibilidades expresivas, latentes en esa transformación de la materia creando outra materia distinta y personal es emocionante siempre; si, además, com esse dominio, tratas de conformar un lenguaje para comunicar tus sentimientos a los demás, te va la vida en sea lucha y en ses dominio sobre unos materiales a los que intentas dar vida.
Su tenacidad en el trabajo de taller, su curiosidada y gozo por conocer los “misterios” que rodean el oficio, el comportamiento de los materiales, la irán dotando de un lenguaje proprio que ya está latente en sus ultimas producciones. Conocedora del esfuerzo que esos “secretos” habrá que extraerlos por el camino de la experiencia, está preparada y dispuesta a enfrentarse com cualquier dificultad y superarla.
Nace, com Sofia, una nueva esperanza en la gran familia de los ceramistas. Su aportación contribuirá, sin duda, a ampliar horizontes y alentar a los iniciados. Que es tarea de todos dejar una huella que sirva a los enamorados de la cerámica, de estimulo y confianza.


Arcadio Blasco
Mutxamiel, Enero 2001

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Prémio ARGO

"Cerco"
Barro chamotado, vidrado a 980ºC, redução posterior na fogueira, 60 x 60 x 34 cm. 2002.

Com este trabalho ganhei em 2003, o 1º Prémio de CER.TA.ME, organizado pela A.R.G.O, Gondomar. Quem organizou foi uma associação local, mas quem ficou com o trabalho foi a Câmara Municipal de Gondomar. Que é feito do trabalho???

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Prémio Mural de Alcora

Há um velho ditado que diz "quer quer vai, quem não quer manda" e neste caso era bem verdade. Os dois trabalhadores que a câmara local disponibilizou para a montagem do mural eram tão maus que tive que ser eu a colocar o trabalho todo na parede. Eu queria-o bem montado.

Em 2005, o Museu de Cerâmica de Alcora, Espanha, organizou o Iº Prémio Mural Undefasa. Era necessário apresentar uma proposta em maquete, para um mural de 300 x 200 cm. A minha proposta intitulava-se "Muro dentro do muro" e foi a escolhida. Na foto não dá para ver bem o trabalho, que consistia em placas de barro com duas medidas, feitas manualmente e no seu interior "pedras" em barro com vidrados e pastas de várias cores e todas elas trabalhadas individualmente.
Infelizmente esta é a unica foto que tenho do trabalho concluido, não se vê bem o trabalho, mas vê-se bem (infelizmente) como foi a inauguração do mural.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Texto de Manuel António Pina

Este texto foi escrito por Manuel António Pina, em 1998, para a minha exposição individual no Solar dos Zagallos, em Sobreda da Caparica. Era um Solar que se tinha transformado num museu dedicado á cerâmica, com exposições permanentes, temporárias e oficinas para adultos e crianças, estava na responsabilidade da Câmara Municipal de Almada. Não sei se ainda existe este museu.

O Domínio do Fogo
Arte fulgurante, a cerâmica participa de modo literal do mistério alquímico fundamental da purificação e da regeneração. Como o poeta – ferreiro taoista na sua forja ou o alquimista ao forno, o ceramista está no centro do mundo, pequeno deus demiurgo arrancando o ser à matéria bruta e ao não ser. Do barro, espécie de caos original, o ceramista “separa” laboriosamente formas e identidades. O seu trabalho é, por isso, de natureza estruturalmente dia-bólica (isto é, cosmogónica e criadora); talvez então a vocação sim-bólica de toda a arte seja a “saudade” do estado edénico e da unidade primordial.
A arte de Sofia Beça evidencia tanto esta origem terrestre como este destino celeste, o barro informe como a presença do fogo criador e regenerador. Cada uma das suas peças parece dividida, dilacerada entre céu e terra, vida e morte, condensação e sublimação. Quem estranhará que as suas formas se abram em movimentos convulsos ou expludam em vermelhos vulcânicos e em negros fundos e inquietos ?
Às vezes, no entanto, dir-se-ia que o sofrimento das formas por momentos se suspende e que elas se espraiam então em calmos painéis e labirínticas ordens cromáticas, quase até ao decorativismo. Mas depressa as cores de novo obscurecem, os volumes se intensificam e pesadas nuvens de tempestade se acumulam nos vidrados.
Porque o ceramista está perto de mais.
Tanto da matéria como da chama. E também ele em ambos arde e se consome.

Manuel António Pina
Setembro de 98

sábado, 14 de junho de 2008

I Encontro Internacional de Culla Contemporânea

"Os meus caracóis"
Grês, técnica da lastra, cozedura a 1260ºC em forno gás. 50 x 50 x 5 cm cada. 2007

Inaugura do próximo dia 17 de Junho a exposição itinerante do I Encontro Internacional de Culla Contemporânea. Realizar-se-á no Centro Cultural Provincial LAS AULAS, Plaza Las Aulas, 1 12001 Castelló, Espanha. Poderá ser visitada até dia 17 de Julho.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Amakusa Ceramic Art 2003

Aspecto do "meu" espaço.

"O meu jardim japonês"
Porcelana de Amakusa, cozedura a 1300ºC.116 x 19 x 12 cm. 2003

Vista da sala de exposição. As peças do lado esquerdo são da autoria do João Carqueijeiro, que tinha lá estado em 2001

Workshop que monitorei sobre azulejos de padrão.

Os "protagonistas" desse ano.
Pois já lá vão cinco anos, mas creio que nunca irei esquecer esta experiência. Em Setembro de 2003 fui até á ilha de Amakusa, Japão. Uma ilha minúscula em frente a Nagasaki.
Através da recomendação do João Carqueijeiro, convidaram-me a estar um mês a trabalhar para uma exposição colectiva. Nesse ano fui a única estrangeira a participar, o que dificultou um pouco a comunicação. O meu inglês era duvidoso, mas como quase ninguém falava inglês......desenhos e gestos eram a melhor forma de comunicar.
Foi a experiência mais enriquecedora que tive até hoje. Estávamos a trabalhar num atelier familiar e estavam ao nosso dispor. O ritmo de trabalho era muito á japonês, 10 horas por dia e com o aproximar da inauguração o numero de horas também ia aumentando. Tentei absorver tudo que via e senti que eles faziam o mesmo.
Durante esse mês só tínhamos os domingos para descansar e foi nesses momentos que tive tempo para fazer "turismo". A ilha onde estava era fabulosa, a lembrar o Japão de á muitos anos atrás, uma ilha que não tem turismo nenhum.
Recordo este tempo com saudade e sempre na esperança de lá regressar. Quanto ao festival, creio que já não existe. As regalias eram boas demais e o dinheiro deve ter terminado.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Gustavo Costa em Serralves em festa II


Ontem fui a Serralves ouvir o meu irmão tocar. Já variadíssimas vezes assisti a concertos dele, mas foi apenas a segunda vez que o vi com o seu projecto pessoal. Tem imensas coisas gravadas, mas quase nunca as apresenta. Estava muito nervoso (apesar da enorme experiência que tem), mas quando começou a tocar, rapidamente desapareceu esse sintoma. Correu muito bem e os elogios foram muitos. Espero poder assistir novamente a um projecto seu, mas com melhores condições.
Serralves em Festa é uma desgraça, ouve-se barulho por todo lado, lixo, a relva nalgumas zonas desapareceu, gente até dizer chega, marcas de cerveja e do banco a oferecer lixo com a devida publicidade..... Não sei o que ganha Serralves com isto, mas o jardim não ganha nada seguramente. A mim não me voltam a apanhar nestas festas, a não ser que o meu irmão volte a tocar lá.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Gustavo Costa em Serralves em festa


No próximo fim de semana Serralves está em Festa. Serão 48 horas sem parar e cheias de diversas actividades e tudo isso gratuitamente.
O meu "compositor privado", é assim que gosto de chamar ao meu irmão Gustavo, uma vez que todas as minhas exposições individuais têm a musica que ele compõe para cada uma delas, vai fazer parte desta "festa".
Vai começar no sábado logo pelas 10 da manhã com a "Fanfarra" - música improvisada- e o local vai ser um percurso na baixa do Porto.
No domingo vai apresentar o seu projecto individual, "Gustavo Costa" - música improvisada, ás 16 horas e o local é em Serralves no Parterre Lateral.
Quem quiser saber mais informações sobre estes programas:
http://serralvesemfesta.com/fotos/gca/serralves_em_festa_08_1211984552.pdf

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Curso de Murais Cerâmicos

No passado ano, fui convidada pelo CEARCAL, em Valladolid, a ser monitora deste curso. Foi bastante intenso devido ao pouco tempo disponível.

Procesos Creativos en la construcción de murales cerámicos
De 19 al 23 de Noviembre de 2007

O curso desenvolveu-se durante um período lectivo teórico/prático de quarenta horas.
Foi estabelecido como objectivo central a criação, por cada aluno, de uma maqueta de trabalho para futura realização de um mural.
O primeiro passo consistiu na procura de um espaço, mais concretamente uma parede, dentro da área da própria instituição que lhes agradasse trabalhar.
Seguidamente apresentaram as suas propostas desenhadas em papel e começaram a dimensionar a maqueta, tendo em atenção a escala mais apropriada para a sua realização.
Um dos aspectos mais importantes a ter em atenção era também o factor tempo, pois era necessário gerir de forma eficaz o tempo que tinham disponível para realizar o trabalho, sendo esse um dos exercícios - controlar prazos de entrega.
As maquetas foram evoluindo à medida que se estabelecia o diálogo e os alunos iam dispondo de mais informação, nomeadamente através da visualização fotografias de trabalhos e respectivos processos criativos de diversos artistas.
Alguns dos alunos tiraram grande partido dessa informação e isso reflectiu-se de imediato nas suas propostas de trabalho e maquetas.
Foi abordada também a questão dos cuidados a ter quando se passa para escalas reais e do que é necessário apresentar para uma proposta de trabalho.
Por fim cozeram-se as peças e falou-se dos resultados finais através do método de apreciação, discussão e crítica de todas as propostas, tendo sido pedido a cada aluno que justificasse e fundamentasse devidamente o seu trabalho.As dificuldades que mais se evidenciaram foram: a dificuldade de expressar as ideias em papel, nomeadamente através do desenho; o deixar de pensar em pequenas peças tridimensionais meramente decorativas para passar a pensar em termos de planos e relevos; e o ter que realizar objectos em grande escala.

sábado, 31 de maio de 2008

Artigo de Jornal Holandês

Leeuwarder Courant – Culture section – Tuesday 20 May 2008

Ceramic refuges in Lawei

Drachten – In her native Portugal, Sofia Beça is a famous ceramist, but in the Netherlands she is as yet an unknown celebrity. Perhaps her exhibition in de Galerij van de Lawei can change this situation.
Her work is now exhibited in this gallery at the invitation of Paulien Ploeger, this year’s guest curator in Drachten. Ploeger aims to introduce the work of artists from lesser known parts of Europe to the public. Last year, for example, she organised an exhibition of Lithuanian felt art in the Museum Smallingerland.
The exhibition in De Galerij is called ‘From womb to tomb – refuges and habitats’. It is Beça’s belief that the life of both man and animal, from womb to tomb, is a continuous search for shelter.
This shelter can either be a refuge, a real cave or in a more broader sense a habitat, the living environment in which a creature feels safe and secure.
Beça presents a large number of fairly small ceramic sculptures, all based on natural examples. They can nearly always be connected with concepts such as ‘taking shelter’, or ‘hiding’, though in some cases this is more clearly expressed than in others.
The installation ‘Floresta Portuguesa’ forms the centre of the exhibition and consists of fifty ceramic tree trunks. They symbolize the forest of course, a nearly archetypal shelter.
In some cases Beça has combined dozens of smaller objects into one large wall sculpture, as with ‘Habitats’, the exhibition’s opening work. In this work she closely studies the life of insects, which largely takes place in secret. You can see depositions of eggs, feeding trails of caterpillars and the entrances of formicaries.
In the large wand sculpture ‘Borboletear’ you can see forms that suggest butterflies and flying insects, but which are built up out of fragments reminiscent of snail shells that have been cut sideways. These are refuges once again.
Beça works with unglazed ceramics, therefore earth colours dominate the exhibition. The dominant colour is a deep red, a colour normally associated with Spain and Portugal as well.
Those colours are in complete harmony with the organic design of her work, which radiates a pleasant austerity because of this.
The ceramic exhibition in de Lawei can be visited until Saturday.

Sytse Singelsma

(with picture of ‘Borboletear’ – wall sculpture of Sofia Beça, to be seen in de Galerij van de Lawei)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Fornadas

Cada vez que decido acender o forno de lenha, sei que vou passar muitas horas á volta de lenha e de calor. Qualquer fornada exige atenção, mas no caso dos fornos de lenha a atenção tem que ser a 100%. As duas primeiras horas são bastante calmas, mas aproveitadas para preparar mais alguma lenha. Depois disso é sempre a controlar a subida da temperatura, que tem que ser gradual. Normalmente são momentos solitários, mas bons para ir pensando na vida. A partir dos 900ºC é que tudo se começa a complicar, o forno quer ser alimentado e que a atenção seja toda para ele. Começa a "dança" entre abrir forno, carregar, fechar forno, olhar para o pirómetro, feliz porque a temperatura sobe, irritada porque desce. O forno gosta de "brincar" nesta altura. Ao fim de bastante esforço lá consigo a temperatura pretendida. Cada forno trabalha de forma diferente e cada fornada é única. Deve ser por isto que gosto de fornos de lenha...dão "luta".
Depois de um dia desgastante, no seguinte é sempre agradável dar um passeio pela aldeia. Desde que me conheço que vou a Outeiro passar ferias ou fins-de-semana e só no verão passado descobri este sitio lindíssimo. Acho que vai ser minha visita obrigatória cada vez que for á aldeia.